3ª Feijoada dos Pretos Velhos fortalece cultura viva, ancestralidade e atuação em rede em Araxá
por Jhobert Rodrigues
No dia 09 de maio de 2026, a Fundação Cultural Calmon Barreto, em Araxá/MG, recebeu a realização da 3ª Feijoada dos Pretos Velhos, promovida pelo Instituto Afrobeja de Arte, Cultura e Educação, através da articulação em rede da Rede Cultural Àṣẹ Araxá. Mais do que um evento cultural, a Feijoada dos Pretos Velhos se consolidou como um importante espaço de fortalecimento comunitário, valorização da cultura afro-brasileira, preservação da memória ancestral e atuação coletiva entre comunidades tradicionais, pontos de cultura, coletivos culturais, povos originários e agentes culturais do território.A programação reuniu apresentações culturais, musicalidade ancestral, manifestações populares, intercâmbio de saberes tradicionais, gastronomia afro-brasileira e momentos de fortalecimento das redes culturais comunitárias.
Entre os destaques da programação estiveram o lançamento do Projeto “Mapa do Axé e do Rosário”, iniciativa voltada ao reconhecimento e valorização dos territórios tradicionais, comunidades de matriz africana e manifestações culturais populares de Araxá e região; a roda de capoeira da Associação Cultural Esportiva de Capoeira Zumbahia, conduzida pelo Mestre Petróleo; além do cortejo e manifestação cultural do Moçambique Rainha e do Reinado de Araxá, fortalecendo a presença das culturas populares afro-brasileiras no evento.
A atividade também promoveu intercâmbio cultural entre diferentes tradições e comunidades, contando com a participação de representantes das culturas afro-brasileiras, populares e indígenas, incluindo a presença da Associação Indígena Andaia e do Pajé Karkara-Uru, reafirmando a importância da diversidade cultural e do diálogo entre ancestralidades.
Além da programação cultural, a Feijoada dos Pretos Velhos realizou ação social com distribuição gratuita de marmitas, fortalecendo o compromisso comunitário das redes culturais envolvidas com o cuidado coletivo, a solidariedade e o fortalecimento dos territórios.
A construção coletiva do evento contou com a participação de diversas casas tradicionais de matriz africana, lideranças religiosas, coletivos culturais, grupos de cultura popular, mestres da cultura tradicional, voluntários e parceiros institucionais, reafirmando a potência da atuação em rede como ferramenta de fortalecimento cultural e comunitário.
Participaram da construção coletiva da 3ª Feijoada dos Pretos Velhos:
Tenda de Umbanda Pai Joaquim da Guiné e Malandro Zé Mulato — Dofonitinho Bruno de Odé
Tenda Umbandista Pai Joaquim de Angola — Pai Talissom Henrique
Obras Assistenciais Pai João do Congo e Zezinho Marinheiro — Dofono Júnior de Gbadé
Tenda Pai Thomás — Azonsi Wallyson
Ilé Àṣẹ Alákétu Omi Òdé Oníṣéwè — Ìyá Isabel Ty Oxóssi
Ilé Àlákétù Omí Ìjọba Àṣẹ Ṣàngó — Bàbá Jower T’Ṣàngó
Ilé Àṣẹ Alákétu Omi Aganjú Obá Layé — Bàbá Rafael T’Ṣàngó
Ponto de Cultura VodunXwé Dokún Lànhuntò — Hùngbónò Rodrigo de Odé
Templo de Umbanda Pai Francisco — Pai Rafael de Yemanjá
Palácio do Alto Òṣùmàrè — Bàbá Diel T’Òṣùmàrè
Tenda Vó Rita e Cigana Sarah — Mãe Helena
Moçambique Rainha e Reinado de Araxá — Plínio Jhony, Vânia Lúcia (Rainha Conga), Nivaldo Eustáquio e Maria Célia (Rei e Rainha da Coroa de São Benedito de Araxá), e Ângela Minervina (Rainha Dandara)
Associação Cultural Esportiva de Capoeira Zumbahia — Mestre Petróleo
Ilé Àṣẹ Alákétu Ogún Wúrá Ayé — Bàbá Beto T’Ogún
Casa de Umbanda Pai Calunga e Exu Arranca Toco — Pai Kristiano T’Ayrá
Casa de Oração Pai Joaquim de Aruanda — Pai Josimar
Tenda de Umbanda Pai Antônio de Aruanda Luz e Consolação — Pai Ronis de Yemanjá
Tenda de Maria Mulambo e Tranca-Ruas das Almas — Mãe Elaine
Abassá Omolu e Yemanjá — Pai Jerry de Omolu
Coletivo Cultural Som dos Ancestrais — Huntó Samuel
Associação Indígena Andaia — Pajé Karkara-Uru
A produção executiva e articulação cultural do evento foi realizada pela Pena Branca Enterprise, através de Jhobert Rodrigues.
A 3ª Feijoada dos Pretos Velhos reafirmou que a cultura viva nasce nos territórios, cresce na coletividade e se fortalece através da ancestralidade, da memória e da atuação em rede.
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